Entrevista: Visão Cênica (Vinícius Ribeiro)
- Amanda Guilherme

- 11 de abr.
- 3 min de leitura

Apresentação
Sediada em Nova Lima, a Visão Cênica é uma produtora cultural diversa, focada em espetáculos teatrais e obras audiovisuais, fundada por Vinícius Ribeiro. Desde 2020, produzimos arte em Minas Gerais, levando histórias reais para os palcos e telas.
Perguntas e Respostas
1. Você pode se apresentar brevemente e contar como começou sua trajetória no audiovisual?
Meu nome é Vinícius Ribeiro, tenho 27 anos, sou ator, dublador, produtor cultural e fundador da Visão Cênica. Minha trajetória começa no teatro, que é a minha base, mas em 2020, após fundar a Visão Cênica, comecei a explorar projetos audiovisuais. Eu já atuava como ator em curtas independentes pela região de Belo Horizonte, mas decidi começar a tirar projetos próprios do papel. Nessa caminhada já se foram dois curtas e um microcurta, o "Vamos Brincar".

2. O que te inspirou a criar o seu curta selecionado para o Papagena?
O curta nasceu de duas vontades: criar algo infantil e com uma mensagem social, aliado ao meu desejo de ter um registro audiovisual atuando ao lado do meu irmão, o Lucas.
3. Qual mensagem ou reflexão você espera que o público leve após assistir à sua obra?
Eu queria criar algo fácil de ser visto e compreendido, mas que incentivasse as pessoas a brincarem mais com as crianças, retomarem esse costume e largarem um pouco mais os aparelhos eletrônicos. Espero que as pessoas se sintam tocadas a ter mais interações reais.
4. Como foi o processo de produção do curta? Teve algum desafio marcante?
Foi um processo bem simples e rápido. Eu e meu irmão do meio, Sebastian Ribeiro, decidimos fazer o curta em uma tarde. O Sebastian também é artista audiovisual e me ajudou na direção de fotografia e arte. O Lucas, nosso irmão mais novo, foi muito esperto e conseguimos todos os takes de primeira, praticamente.
5. Sendo um artista independente, quais são as maiores dificuldades que você enfrenta atualmente?
Acredito que atualmente meu maior desafio seja o de alcançar mais pessoas com minha arte, fazer com que meu trabalho seja visto para além do ciclo familiar e de amigos. Mas todos os dias surgem novas plataformas que conectam o público ao artista, então estou sempre procurando formas de fazer essa ponte.
6. Você acredita que o audiovisual pode impactar questões sociais? Como isso aparece no seu trabalho?
Sem dúvidas! A arte de uma forma geral é um instrumento político de transformação social. A arte salvou minha vida quando eu tinha 11 anos e acredito que continue salvando e mudando vidas até hoje; seja no teatro, no cinema ou no artesanato, tudo é capaz de provocar um novo sentimento dentro das pessoas. Eu crio arte pensando em como as pessoas podem vir a ter uma nova visão de mundo.
7. Como você enxerga a cena audiovisual independente hoje, especialmente no seu contexto/localidade?
Acredito que hoje em dia as pessoas se sintam mais livres e confortáveis para experimentar. Com um celular você pode criar um curta ou um microcurta que pode ser visto de qualquer lugar do planeta. No entanto, falta incentivo para essas produções; as pessoas precisam olhar com mais carinho para os artistas independentes. Aqui na minha cidade temos vários artistas criando continuamente, mas falta esse apoio de políticas públicas para que possamos ir além.
8. Existe algum momento específico da sua trajetória que marcou sua visão como artista?
A pandemia, entre 2020 e 2021, me transformou como artista. Eu me vi dentro de casa, querendo criar arte, e tudo o que eu tinha era meu celular e meu quarto. Foi assim que comecei os experimentos. Foi um momento que me fez olhar para uma dificuldade e me impulsionou a sair da zona de conforto. Eu diria que ali tive que me reinventar por completo.
9. Quais são seus próximos projetos ou ideias que pretende desenvolver?
Este ano estamos produzindo nosso primeiro curta aprovado em um edital cultural. "QUARESMA" é um curta de folclore regional que aborda território e o imaginário popular de uma cidade assombrada pelos horrores da mineração.
10. Que conselho você daria para quem está começando no audiovisual agora?
Não desista. Vão existir momentos em que as pessoas vão passar direto pelo seu trabalho e você vai achar que não está fazendo diferença, mas acredite: você está! Continue tentando e criando, sua arte é ainda mais valiosa do que você pensa.



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