Giovani José
- Amanda Guilherme

- 26 de jun. de 2025
- 3 min de leitura

Vive em: Guaianases – São Paulo (SP) | Idade: 20 anos |Pronome: Ele/Dele | Pessoa com deficiência (PCD)? Não| Linguagem: Artes Visuais
🔗 Redes sociais/portfólio: @giovani_jose09
Como a arte entrou na sua vida?
Desde muito novo, a arte me chamava. Eu gostava de desenhar, criar personagens, imaginar cenários e cenas inteiras dentro da minha cabeça.Minha madrinha, que é professora, foi essencial nesse caminho. Me levava a museus e exposições — foi através dela que tive contato com culturas, histórias e quadros que abriram minha mente.Minha mãe, na época, não tinha condições nem estudo para incentivar isso. Então, se não fosse esse impulso, talvez aquela voz dentro de mim nunca teria falado tão alto.
Quem é você além da sua arte?
Sou um jovem de origem humilde, estudante, amante da poesia, dos livros e da filosofia. Gosto de questionar, porque acredito que é no questionamento que formamos nossa própria ideologia.Aprecio o silêncio da noite, o vinho, os parques, as rosas, os filmes clássicos. Sou alguém que encontra beleza nas pequenas coisas e busca sentido no caos do mundo.

Como é seu processo de produção ou criação?
Tudo começa com uma imagem mental, inspirada por algo vivido — uma dor, uma escolha difícil, um conselho, uma história que me tocou.Canalizo esse sentimento, visualizo a cena, e traduzo para a folha o que precisa ser dito.
O que inspira seu trabalho hoje?
A dor. A dor é, para mim, a essência dos fatos. Ela nos amadurece, nos marca, nos transforma.Trabalho com temas como o peso das escolhas, a crueldade do mundo, a saúde mental (depressão, ansiedade, auto sabotagem), a espiritualidade, e a luta interna que todos enfrentamos. Mesmo a dor pode virar arte — e é por isso que pinto.
Sua arte é bem recebida ou ainda não cabe nos espaços?
Tenho admiradores que acolhem meu trabalho com sensibilidade. Mas me sinto no "underground", porque nem todos estão dispostos a lidar com a crueza da minha estética.Alguns desvalorizam meu trabalho por ser considerado "bizarro", por ter horror gráfico, ou por não seguir os padrões clássicos como tinta a óleo. Mas sigo.
Que temas, sensações ou ideias você repete nas suas obras? Por quê?
Minha infância difícil, os traumas, a violência silenciosa dos espaços em que vivi.Trago a nudez da realidade, os desejos escondidos, o papel da mulher na vida de um homem, e o Eu como maior inimigo. Questiono:“Você é o herói ou o vilão da sua história?” “Você tem amor-próprio?” “Você realmente merece sofrer?” “Adianta esconder quem você é?”

Quais são seus maiores sonhos como artista? E seus maiores medos?
Não sonho com vender quadros — meu maior desejo é que minha dor e a dor de tantas outras pessoas que não sabem se expressar possam encontrar ressonância nas minhas obras.Quero que meu trabalho leve à reflexão e ajude na construção de seres mais conscientes.Meu maior medo é morrer sem que ninguém saiba que existi. Sem que minhas obras — que são pedaços da minha alma e da história de quem amo — sejam reconhecidas ou sentidas por alguém.
Sua relação com a inteligência artificial:
Sou contra. Acredito que a IA tem inibido o desenvolvimento de talentos reais. Muitos deixam de aprender com as próprias mãos por confiar em uma ferramenta que entrega tudo pronto.Isso ameaça o ganha-pão de artistas que amam o que fazem e se dedicam profundamente ao seu ofício.
Do que você mais se orgulha na sua caminhada artística?
De nunca ter abandonado a arte, mesmo nos piores momentos.A arte sempre esteve ao meu lado — como uma mãe e um pai.Ela me ensinou a verdade, me moldou com firmeza, me aceitou como sou.Sem a arte, não sou inteiro. Prefiro me sacrificar do que deixá-la morrer.
O que você gostaria que as pessoas entendessem sobre artistas independentes?
Nem todo artista independente quer fama ou dinheiro.Muitos de nós só querem ajudar o outro, mostrar um mundo possível, criar beleza apesar da dor.Todos nós merecemos uma chance. Inclusive você que está lendo isso agora.









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